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Para fazer uma avaliação dos resultados da eleição é importante olhar nossa cidade na sua relação com o estado, o país e do mundo. Caxias, graças ao seu perfil econômico e ao trabalho da sua gente é hoje um pólo de desenvolvimento inserido na economia global. E este padrão de desenvolvimento foi muito favorecido pelas políticas do governo Lula, que garantiram o crescimento econômico e uma redução das desigualdades sociais. Foram mais de R$ 260 milhões em recursos federais neste período. E esta satisfação da população com a situação econômica, segundo muitos analistas, determinou uma tendência nacional à reeleição de prefeitos em exercício do mandato. Isso explica, em boa parte, os resultados de Caxias, de Porto Alegre e Pelotas.

É dentro deste contexto que devemos analisar o desempenho mais geral do nosso partido nas eleições. Em que pese os resultados desfavoráveis na capital e aqui, as urnas permitiram, em nível nacional, uma afirmação do governo Lula e do PT. Mantivemos nossa trajetória de crescimento elegendo 559 prefeitos e prefeitas em todo o país, significando um crescimento de 36% em relação a 2004. Só no Rio Grande do Sul, reelegemos 28 prefeituras das 38 em que concorremos, o que representa um índice de 74%, o maior índice dentre os partidos no RS. Além disso, vencemos 27 prefeituras que nunca havíamos governado, entre elas, nos municípios como Bento Gonçalves, Vacaria e Nova Roma do Sul. Voltamos a conquistar Garibaldi, governado pelo PT de 1997 a 2000. Vamos governar a partir de 2009, 128 municípios no RS, somando prefeitos e vice-prefeitos.

Mas esta situação globalmente favorável não deve ser motivo para evitar uma reflexão mais aprofundada sobre derrotas que sofremos. Em muitos casos ficou evidente que tivemos dificuldade em construir uma unidade política das esquerdas e de setores populares em cima de um programa político-ideológico que aponte para transformações na sociedade brasileira. Oscilamos entre o isolamento auto-suficiente, que prescinde de aliados, e o pragmatismo aliancista que formou coligações sem perfil ideológico claro. Entre o saudosismo da Frente Popular das origens, de um lado, e as alianças despolitizadas de outro, não conseguimos formular um programa que aglutinasse aliados em torno de um projeto político consistente.

É importante destacar que a direita, materializada na articulação PSBB/DEM, se enfraqueceu nesta eleição. Porém esta derrota em termos mais globais foi neutralizada justamente por vitórias dos setores mais conservadores em cidades simbólicas como São Paulo, Porto Alegre e Salvador. A direita foi quem mais perdeu, mas tampouco está derrotada. Vimos também nestas eleições uma fragmentação e pouca mobilização nos movimentos, somados à fragilização dos laços do PT com a sua base social. Estes dois elementos somados sinalizam no sentido de um acirramento da disputa política nos próximos dois anos, quando se coloca a questão da sucessão de Lula.

Por isso mais do que nunca se coloca para o PT o desafio de aprofundar o seu debate político programático, assim como de buscar uma recomposição dos seus laços com os movimentos. No cotidiano, precisamos estar inseridos contribuindo e construindo a resistência à implantação da política de destruição dos direitos sociais que vem sendo promovida pela governadora Yeda e pelos os partidos que formam sua base aliada. É deste diálogo do partido com os movimentos sociais é que se poderá resgatar os elementos que nos permitam construir uma plataforma programática, um projeto que permita atrair outros setores sociais e políticos para uma aliança que tenha como norte estratégico o aprofundamento das transformações em nosso país.