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Fechamento de Turmas do Ensino Médio

 

 

 

         O governo do estado surpreendeu a todos com uma medida intempestiva nesta volta às aulas. Por razões de economia, mais de 2 mil turmas de ensino médio vão ser extintas. Segundo a SEC, ao eliminar turmas que têm poucos alunos, o governo poderá reduzir o número de professores contratados, reduzir o número de horas extras e de convocações de professores. Para além do transtorno gerado no meio do ano letivo, com conseqüências do ponto de vista da aprendizagem daqueles que tiveram suas turmas extintas, a medida é questionável também do ponto de vista da sua lógica interna.

         A adoção de turmas maiores, chegando a 50 alunos por sala, prejudica a aprendizagem. Conforme declarou ontem o professor Fernando Becker, da UFRGS, o excesso de alunos compromete a qualidade do ensino, diminuindo a possibilidade de interação. Turmas maiores dificultam o trabalho pedagógico, prejudicando a atenção dos alunos e gerando um maior desgaste dos professores. Conforme a presidente do CPERS, a professora Simone Goldschmidt “com o inchaço das turmas, tanto docentes como os alunos se tornam apenas mais um número da estatística”. O resultado deste processo tende a ser o aumento da evasão e da repetição.

É aí que política adotada se demonstra irrefletida, na medida em que o custo gerado pelo aumento da evasão e da repetição certamente é maior do que a economia obtida com a redução de professores contratados. O custo da repetência é evidente, são alunos que ocupam vagas que poderiam ser de outros, sobrecarregando a rede com alunos que não conseguiram passar de ano. Não é difícil perceber que a superficial redução de custos com a enturmação é neutralizada neste processo.

         Mas a evasão coloca um problema mais grave. O custo social de jovens e adolescentes fora da escola é ainda muito mais alto. Exclusão social, violência, desemprego, resultam muitas vezes da falta de uma educação de qualidade, capaz de contribuir para uma maior responsabilidade e consciência cidadã. Por isso não se pode olhar a educação a partir de uma lógica economicista, nem admitir que o ensino seja tratado a partir da lógica de mercado. As conseqüências destes erros são pagas por toda a sociedade.

         Não é com medidas de impacto no curto prazo que se pode melhorar a educação. Precisamos de uma escola de qualidade, com bom ensino e professores bem remunerados. Precisamos investir em um projeto pedagógico que ajude a construir um país melhor e um mundo mais justo. Mas isso não se faz com a política da tesoura.